Neste 15 de junho, Itajaí celebra 166 anos de história. Em meio às comemorações, um dos episódios mais marcantes e dramáticos da cidade volta à memória: o incêndio que quase provocou uma explosão de grandes proporções em 1965 e o ato de coragem de um trabalhador que mudou o rumo daquela noite.
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Entrar no GrupoO fato ocorreu em 2 de fevereiro de 1965, durante as celebrações de Nossa Senhora dos Navegantes. A cidade vivia um dia de festa, com procissões no rio, barcos enfeitados e clima de devoção. Itajaí tinha pouco mais de 60 mil habitantes na época.
No bairro Cordeiros, onde funcionavam tanques de combustível responsáveis pelo abastecimento do litoral norte catarinense e parte do Paraná, uma falha durante o abastecimento do navio Petrobrás Norte provocou um grave acidente. Uma mangueira de gás teria se soltado, gerando uma explosão imediata e uma grande bola de fogo visível no céu, além de danos como vidraças quebradas em residências e comércios.
O cenário rapidamente se tornou de pânico. Havia o risco de uma explosão ainda maior, que poderia atingir outros navios atracados, os tanques terrestres e até o centro da cidade. Diante da ameaça, moradores deixaram suas casas às pressas e buscaram abrigo em regiões mais altas, como o Morro da Cruz e Cabeçudas.
Em meio ao desespero, um pequeno grupo de trabalhadores tentou conter a situação. Entre eles estava Odílio Garcia, responsável pelo bombeamento de gás.
Segundo relatos da época, Odílio percebeu que a única forma de evitar uma explosão em cadeia seria interromper manualmente o fluxo de gás dentro do navio em chamas. Sem hesitar, ele entrou na embarcação tomada pelo fogo, conseguiu alcançar as válvulas e fechá-las, interrompendo o vazamento que alimentava o incêndio.
Após a ação, ele ainda se lançou ao rio na tentativa de escapar. Odílio foi resgatado com queimaduras em cerca de 90% do corpo e encaminhado ao Hospital Marieta Konder Bornhausen, onde faleceu no dia seguinte.
O gesto evitou que o incêndio se espalhasse pela região portuária e impediu uma possível catástrofe de grandes proporções, salvando milhares de vidas em Itajaí.
Filho de Cândido Antônio Garcia (Doca) e Zulmira Garcia, nascido em 25 de julho de 1930, Odílio entrou para a história como símbolo de coragem e sacrifício.
Até hoje, seu nome é lembrado como um dos maiores exemplos de bravura ligados à cidade. Um ato silencioso, mas decisivo, que marcou para sempre a memória de Itajaí.


